30 de jan. de 2010

Por que Pão de Mel?


Bom, a história é simples.

Quando me mudei para a cidade de Umuarama – PR com a minha família, eu já estava decidida a abrir uma confeitaria, e por isso tinha pressa em encontrar um nome. Mas não poderia ser um nome qualquer. Ele teria que me agradar, afinal, faria parte da minha história. Então surgiu a idéia de colocar o nome de um produto que eu fazia e sabia que todos gostavam muito: PÃO DE MEL.

Como eu disse, a história é simples. Escolher o nome foi simples. Eu só não sabia o que este nome representaria na minha vida...

Minha panificadora e confeitaria começou pequena, cresceu (muito), teve seu tempo de glória e ... o sonho acabou. Fechamos as portas, definitivamente.

Eu e meu marido continuamos com pequenas entregas e encomendas, afinal tínhamos dois filhos no colégio, e dar a eles uma boa educação foi um dos principais motivos de nossa batalha.

Foi com o aluguel e as contas atrasadas, mas meu filho entrou na Universidade que queria, no curso que queria. Engenharia Elétrica na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis, a quase 1000 km de casa.

Logo no 1° ano, era este pequeno pãozinho recheado com brigadeiro e banhado no chocolate que me ajudava a manter ele por lá. Não era muito dinheiro. Era o suficiente para pagar as contas, almoçar no Restaurante Universitário (R$ 1,50 a refeição) e jantar pão com mortadela. Este último detalhe, aliás, me fez chorar quando soube.

Mas foi assim, de pão de mel em pão de mel que passamos por um dos anos mais difíceis emocionalmente e financeiramente. Hoje ele já faz o 4° do curso. Chegou onde eu acreditava que chegaria. Não só com a nossa força de vontade, mas também com a dele.

Por isso não vou me esquecer nunca como o Pão de Mal me ajudou na vida. Digo ‘ajudou’, no passado, porque trabalho com outros produtos agora. Mas sei que se tiver qualquer problema, ele será uma solução.

Enquanto escrevia, me lembrei que um dia uma pessoa muito especial me disse que o nome “Pão de Mel” era de extrema importância para mim e, que eu poderia cair muitas vezes, mas sempre me levantaria. Cheguei a uma conclusão: cair é fácil, e todos corremos este risco. Sortudos são aqueles que sabem onde se apoiar para levantar. Eu soube. E queria poder dizer isto aquela pessoa.

De presente deixo aqui a receita, e qualquer dúvida entre em contato pelo e-mail: terezafurquim@hotmail.com

Ingredientes:

Massa
500g de acucar mascavo
2 xícaras (600ml) de xarope de cafe
4 ovos (200g, separadas gemas e claras)
4 1/2 xícaras (720g) de farinha de trigo
2 colheres (40g) de chocolate em po 32
1 xicara (300ml) de leite
1 xicara (400g) de mel
15g de bicarbonato de sodio
Canela, cravo e noz moscada a gosto
Recheio
(Brigadeiro)
2 latas de leite condensado
300g de doce de leite
3 colheres de chocolate em po 32
1 lata de creme de leite com soro
200g de chocolate em barra meio amargo
1 colher de margarina
(Prestígio)
200g de coco fresco ralado
100g de coco em flocos seco
200g de acucar refinado
1 lata de leite condensado
300ml de leite
Para banhar:
500g de chocolate ao leite fracionado
500g de chocolate meio amargo fracionado

Modo de preparo:

Levar ao fogo o acucar mascavo, o mel, o leite e o xarope de
cafe
Quando levantar fervura desligar o fogo e deixar esfriar
Quando estiver frio juntar as gemas, misturando bem
Bater as claras em neve
A parte: coar a farinha com o bicarbonato e o chocolate em po
Fazer a mistura dos líquidos com a farinha e mexer bem
Juntar as claras em neve e mexer delicadamente
Untar as forminhas com oleo e colocar em cada uma massa
suficiente para cobri-la pela metade
Levar ao forno em 180C por 12 a 15 minutos
Esperar esfriar para rechear, de preferencia de um dia par o
outro ou 12 horas
Para banhar, derreter os dois chocolates juntos e banhar os paes
de mel
Rendimento: 70 unidades grandes ou 150 em tamanho para festas

28 de jan. de 2010

Bem Vindos

No início da minha profissão eu ouvia alguns padeiros dizerem, “Quando a gente senta sobre um saco de farinha, nunca mais consegue mudar o rumo da nossa profissão”. E acredite, era verdade! Mas também acredite que crescer a beira de um fogão a lenha, cozinhando para 12 irmãos, pai e mãe, pode (e deve) ter influenciado o rumo que minha vida levou.

Éramos uma família pobre e em cada refeição havia um pouco de improviso, abóbora, mandioca, farinha e feijão. Mas também comíamos muito arroz socado no pilão (que era uma dureza, mas com um sabor que não encontro mais!) e os fantásticos bolos assados dentro de enormes panelas de ferro tampadas e com muita brasa.

E os pães? Bom, esses a gente ficava na vontade, principalmente quando os vizinhos alemães da chácara ao lado faziam suas Cucas. Nunca vou me esquecer daquela vontade que não acabava quando o cheiro desaparecia no ar.

Acredito que foi a partir daí que minha vida começou a mudar e o desejo de cozinhar foi ficando cada vez maior.

Hoje, sou uma nutricionista que ama demais a profissão, mas que a arte de cozinhar é a chave mestra que conduziu minha vida até aqui. Um pouco de farinha trigo e muitas idéias e... pronto! Lá estou eu envolvida mais uma vez tentando fazer alguma variação dentre tantas que já existem no mercado. Também trabalho com pães todos os dias, e cada um é um novo começo e um novo desafio

E assim surge o meu ‘blog’. Um pequeno diário com parte da minha rotina e da minha história que vai mostrar a vocês como a vida e a cozinha podem ser apaixonantes!